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My Beatles Experience – Revolver (1966)




Começando com os ‘dois pés na porta’ nossa nova coluna no Beatlelogias, coletamos depoimentos de beatlemaníacos próximos sobre suas experiências e relação com o icônico Revolver, que hoje, dia 08 de agosto, completa 53 anos de seu lançamento nos EUA, de longe o maior mercado consumidor da banda no mundo. Vamos aos depoimentos!


“Difícil falar de um álbum que volta e meia eu o tenho como favorito, e é engraçado que não foi de primeira que gostei dele. Claro, eu era jovem demais pra compreender tantas ideias diferentes,  tantas harmonias envolventes e tantas melodias incrivelmente ricas. O fato é que depois que "entendi" a canção "Eleanor Rigby", depois que assimilei a ideia de um som tão rico e diferente, aí sim fui capaz de usufruir e me deliciar com o suprassumo do "FabFour". O "Revolver" consegue ser tão genuíno e ao mesmo tempo tão emblemático que eu ainda teimo em não colocá-lo em primeiro lugar no meu ranking pessoal dos álbuns dos 4 rapazes de liverpool, quem sabe ontem eu colocaria,  rs ou quem sabe amanhã eu coloco... mas o certo é que, Revolver é um álbum que pra mim, é terminantemente proibido dar o play e não escutar ele na íntegra sem pular nenhuma faixa... é sempre uma viagem atemporal... experimente !”

Marcelo Kateh é músico, vocalista e guitarrista da banda Criança Louca e amante de tudo que envolve Beatles.


“A riqueza instrumental e vocal contida neste álbum, o classifica em minha opinião como um divisor de águas entre a fase das baladas viciantes, evoluindo para um período com as músicas mais bem elaboradas, apesar de que em Rubber Soul também houve uma enorme evolução. Podemos analisar este álbum em 03 perspectivas:

COMO OUVINTE: Álbum perfeito para ouvir, em qualquer ocasião, impossível de enjoar, com exceção de 'Yellow Submarine'.

COMO MÚSICO: Executo no contrabaixo todas as músicas deste álbum, com exceção de algumas instrumentais. É extraordinário poder ouvir e tocar as linhas simultaneamente, como por exemplo: 'Taxman', 'She Said She Said' e 'And You Bird Can Sing'. Apenas ouvindo, temos uma certa compreensão. Ouvindo e executando, podemos de uma certa forma nos aproximar mais do que eles sentiam enquanto tocavam, além de sentir a vibração também. 'Eleanor Rigby', 'Here, There And Everywhere' e 'Good Day Sunshine' elevaram a banda a um patamar jamais atingido anteriormente, que certamente já nos indicava o rumo que a banda iria tomar. Da psicodelia de Love You To (de George Harrison), quarta faixa do disco, até o riff  marcante presente na introdução de 'And You Bird Can Sing', as músicas contém tantas particularidades que em apenas um texto seria impossível enumerá-las. Mas, Revolver é um álbum que, além de viciante, é bastante emblemático, pois não consigo encontrar conexão entre as músicas, mas mesmo assim, ao final, tudo soa tão bem. Como uma orquestra!
       
COMO CRÍTICO: Jamais teria incluído 'Yellow Submarine' neste álbum.” 


Hedder Braga: Ex músico, aficionado em aprender todas as linhas de contrabaixo dos Beatles. Residiu por vinte anos em Machado (MG), três anos em Maceió (AL), e atualmente moro em Palmeira (AL) . Os contatos mais próximos que teve com os Beatles foram em um show do Paul McCartney, uma visita ao museu The Beatles em Buenos Aires, Argentina, no qual um colecionador reúne o maior acervo mundial sobre Beatles. Já possuiu um baixo Hofner Alemão, original de 1967 que, em suas palavras: “por inocência, vendi por 5 salários mínimos (na época)”. Em vários Hard Rock Café já se deparou com objetos originais dos Beatles, como por exemplo, um sobretudo usado por John Lennon em Nova Iorque, tijolos originais do Cavern Club e, também, um violão que pertenceu a George Harrison.


Conheci o Revolver aos poucos, sem saber. Quando criança, ouvia direto uma fitinha K-7, dessas coletâneas bagaceiras que se comprava em camelô, que a minha mãe tinha e Eleanor Rigby e Yellow Submarine estavam presentes na seleção. Já tínhamos os LPs do A Hard Day’s Night e do Help! em casa. E, também, tenho uma vaga lembrança de ter assistido a animação do Yellow Submarine quando eu era bem pequeno. Mas, não tenho certeza quanto a isso. Depois, já na adolescência, com a coleção dos Beatles quase completa em vinil, meu amigo Cássio Camargo me emprestou o bolachão dos seus irmãos mais velhos, que me faltava. Escutei até enjoar na velha eletrola que tinha lá em casa. Me apaixonei de cara por I’m Only Sleeping, For No One e Good Day Sunshine... Confesso que tinha medo de escutar Tomorrow Never Knows. O disco me incomodava! Mas, de um jeito bom. Estranho, mas bom. Naquele mesmo ano de 1994, Revolver foi o primeiro CD que eu comprei, junto com o Beatles For Sale, que eu também não tinha em vinil. Anos mais tarde, ainda me faltava o Revolver em vinil e consegui comprar um original da época, importado, pela bagatela de R$ 50,00, de um colega de trabalho. Pronto! Completei a discografia oficial dos Beatles em vinil e em CD. Uma ostentação só! Até hoje quando converso com alguém que está se iniciando no mundo dos rapazes de Liverpool, indico o Revolver sem pestanejar, como se fosse o Santo Graal. Ah, hoje não tenho mais medo da Tomorrow Never Knows!

Alysson de Almeida -  farmacêutico por formação, professor por vocação, beatlemaníaco em estágio terminal por opção, desde criancinha. 



Ah, e se você também enxerga Beatles em todas as coisas como nós e quer externar sua experiência com a obra dos Fab4, envie-nos seu depoimento para beatlelogias@gmail.com. Em breve, anunciaremos o próximo tema do Beatles Experience no perfil do nosso editor no Insta: @sgtfolker 



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