Pular para o conteúdo principal

Conheça a Niterói Beatle Week - A Maior feira Beatle da América Latina!


por Leko Soares

Os anos passam, as modas vem e vão e os Beatles continuam sendo uma das bandas mais populares no nosso território tupiniquim. Constatado o fato, é importante pontuarmos que nos últimos anos no Brasil, o universo da Beatlemania tem se ampliado e  vem ganhando terreno para muito além dos ouvidos da galera. Prova disso é o já tradicional Bloco do Sargento Pimenta de BH e as "Beatle Weeks" que tem se multiplicado em várias cidades do Brasil. E pra explorar um pouco mais o universo das "Beatle Weeks", falaremos com Rodrigo Bessa, co-organizador da maior feira Beatle da América Latina, a Niterói Beatle Week, que entre os dias 09 e 15 de dezembro celebrará  sua terceira e maior edição, prometendo ampliar ainda mais os horizontes nos próximos anos. Vamos ao papo!   

Beatlelogias: Primeiramente, fale-nos um pouco sobre sua trajetória antes de se tornar o organizador da maior feira Beatle da América Latina. 
Rodrigo Bessa: Eu sou engenheiro de produção, mas a música e a produção de eventos sempre tiveram grande peso na minha vida. Assim que saí da faculdade, já me revezava entre as bandas que tinha e a produção de eventos de médio e grande que na época eram as micaretas (carnavais fora de época que aconteciam por todo o Brasil). Sempre amei os Beatles e meu interesse musical maior sempre foi o Rock, mas eu surfava na onda mais popular do momento. Casei com a Jessica, que também era roqueira e beatlemaníaca como eu, e desde 2012 começamos a pensar juntos em trazer esse festival para o Brasil. Hoje somos sócios e ela produz a Beatleweek junto comigo!

B: A Niterói Beatle Week já está indo para sua terceira edição. Conte-nos um pouco sobre o início de tudo e o que te levou a iniciar esse projeto
R:Eu fui convidado para tocar guitarra na banda de uma cantora que estava indo se apresentar no festival de Liverpool em 2012. Como tocar no Cavern Club era um sonho a ser realizado, levei a Jessica comigo para participar dessa grande realização. Chegando lá, ficamos maravilhados com o festival, com as bandas, a energia e com o público do evento. Jessica é extremamente comunicativa e conseguiu uma certa abertura com a diretoria do Cavern conversando com os organizadores do festival. Daí em diante ficamos com a ideia fixa de fazer uma réplica daquele festival no Brasil, começando por Niterói que é a cidade onde moramos. Foram várias tratativas de lá para cá e a primeira edição só foi realizada em 2017, porém já com a chancela do Cavern Club Liverpool.



B: A terceira edição conta com a chancela do Cavern Club de Liverpool. Em termos práticos, quais as vantagens desse reconhecimento? Existem planos para uma parceria mais ampla com o Cavern? 
R:Basicamente as mesmas vantagens de beber um refrigerante de cola fabricado pela Coca-Cola! Rsrs. Brincadeiras à parte, é importante lembrarmos que a Beatleweek é um festival de propriedade do CCT, que é a empresa dirigente do Cavern Club Liverpool. Seria impossível fazer um festival dessa magnitude, ainda trazendo as bandas nacionais e internacionais que são ovacionadas por lá, se não tivéssemos a chancela deles. Além da questão legal, a parceria com o Cavern dá autenticidade e charme ao evento. Temos conversado muito com os sócios do CCT sobre planos maiores!


B: Nos últimos anos temos visto a cena Beatle no Brasil crescendo exponencialmente. Mais eventos temáticos surgindo, sites, bandas covers...Na sua opinião, a que se deve esse crescimento da beatlemania no Brasil? 
R:Posso chutar várias questões, mas não tenho conhecimento de causa para determinar nenhuma, são apenas palpites mesmo. Um deles é o fato da nossa indústria fonográfica estar um pouco carente de músicas mais "analógicas" e menos "digitais". Nada contra a tecnologia que proporciona tais novidades, porém há um desejo de boa parte dos consumidores de música de ouvir canções onde se identifica guitarra, baixo, bateria, teclado, etc. Outro palpite que eu arriscaria é a mensagem das músicas, a maior parte das canções dos Beatles tem uma mensagem a ser passada adiante. Soma-se a isso o apelo emocional da história da banda, o impacto social, musical e histórico que têm reflexos até os dias de hoje. Certamente um desses palpites, se não um pouco de todos, é o motivo para o crescimento desse interesse no Brasil.


B:Complementando a pergunta anterior, você relacionaria diretamente o crescimento dessa cena ao crescimento da Niterói Beatle Week? 
R:Com certeza! Mas não somente... acredito que o advento das redes sociais aproximou as pessoas, então ficou mais fácil encontrar a sua tribo, os grupos de pessoas com gostos parecidos para que eventos assim aconteçam direcionados para o seu público. Ainda há a vantagem de fazermos um festival de música em homenagem aos Beatles que preza a diversidade musical. Sendo assim, temos no evento artistas que fazem releituras da obra dos Fab 4, renovando o público e integrando novos grupos.

B:Fale um pouco sobre os destaques da NBW esse ano e quais suas expectativas em relação a essa edição? 
R:Acredito que as bandas internacionais sejam sempre um destaque por se submeterem a viajar para tão longe a fim de tocar Beatles! Eles não estão vindo para mostrar músicas autorais com as quais poderiam estourar para o sucesso, são músicas que já são sucesso há 50 anos. Esse ano temos uma banda finlandesa (She's Leaving Home) cuja formação tem apenas bateria, baixo, teclado e voz - não tem guitarra! Sensacional e inovador o som dos caras, com a voz doce e presente da cantora. Há ainda a Sonido Club, de Florianópolis, que participa da NBW desde a primeira edição e é uma dupla que soa como uma banda inteira! É composta por um guitarrista que toca um violão dobro (em algumas canções uma guitarra) e ele mesmo faz TODAS as linhas de baixo num bass pedal. Junto dele o cantor de voz arrebatadora toca também uma percuteria em que o bumbo é um cajon. Há diversos destaques, na verdade... muito difícil selecionar apenas alguns!

She's Leaving Home tocando Help no Cavern Club



B: Existem planos de expandir a estrutura da NBW levando-a para outros lugares do Brasil? 
R:Sim! Já estamos com outros 3 festivais nesses moldes para o primeiro semestre de 2020 em diferentes cidades do Brasil. Fiquem ligados na parceria MBpro Eventos/Osmose Produções (que são as produtoras realizadoras do evento) e Cavern Club Liverpool. Vamos fazer coisas bem grandiosas!

B: Antes de terminarmos nossa entrevista, duas perguntas de beatlemaníaco pra outro: 
Primeira: Como a obra dos Beatles chegou até você e que impacto ela tem em sua vida? 
R:Chegou através dos meus pais, quando eu tinha uns 10 ou 11 anos e já gostava de tocar violão. Uma coletânea dos Beatles entrou na minha casa, eu ouvi e me apaixonei pelo som! O impacto disso é muito claro em diversas fases da minha vida: gostar de Beatles me proporcionou conhecimento musical, me aproximou da mulher com quem me casei, me levou à Europa para apresentação no maior festival do mundo desse tema e hoje a minha vida profissional gira em torno desse quarteto formado lá nos anos 60.

B: a segunda é: Se tivesse que apresentar um único álbum dos Beatles para um leigo, qual seria e por que? 
R:Essa é a pergunta mais difícil de todas que você me fez! Costumo dizer que não tenho um álbum preferido, tenho um álbum preferido para momentos distintos que passamos na vida... cada álbum traduz ou conversa com um tipo de sentimento humano. Há dias em que estamos mais "Let it Be", há outros dias em estamos mais "Rubber Soul", podendo facilmente alternar o modo para "White Album" ou "Revolver". É complicado escolher um só!



B:Muito obrigado pela entrevista. O espaço final é seu. Beatles Neles!
R:Agradeço em nome de toda a produção do evento, da Prefeitura de Niterói - cujo apoio foi indispensável para a realização dessa produção através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e da Neltur. Esperamos poder proporcionar um lindo e emocionante festival que extrapola as fronteiras da cidade!

E pra quem quiser saber mais infos sobre a Niterói Beatle Week, todas as informações podem ser encontradas nas redes oficiais do evento. Só clicar nos links abaixo:

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

My Beatles Experience – Revolver (1966)

Começando com os ‘dois pés na porta’ nossa nova coluna no Beatlelogias, coletamos depoimentos de beatlemaníacos próximos sobre suas experiências e relação com o icônico Revolver, que hoje, dia 08 de agosto, completa 53 anos de seu lançamento nos EUA, de longe o maior mercado consumidor da banda no mundo. Vamos aos depoimentos!

“Difícil falar de um álbum que volta e meia eu o tenho como favorito, e é engraçado que não foi de primeira que gostei dele. Claro, eu era jovem demais pra compreender tantas ideias diferentes,tantas harmonias envolventes e tantas melodias incrivelmente ricas. O fato é que depois que "entendi" a canção "Eleanor Rigby", depois que assimilei a ideia de um som tão rico e diferente, aí sim fui capaz de usufruir e me deliciar com o suprassumo do "FabFour". O "Revolver" consegue ser tão genuíno e ao mesmo tempo tão emblemático que eu ainda teimo em não colocá-lo em primeiro lugar no meu ranking pessoal dos álbuns dos 4 rapazes de…

Helter Skelter (curiosidades)

Helter Skelter é uma canção emblemática na carreira dos Beatles. Por muitos, considerada o primeiro "Heavy Metal" da história, ficou mesmo marcada pela associação com a seita liderada por Charles Manson, uma das mentes criminosas mais malignas do século XX. Para inaugurarmos nossa nova sessão "Histórias e melodias", nada melhor que uma lista de  curiosidades sobre a tridimensionalidade e vida própria que a faixa 23 (ou a 6 do Lado 3) do "White Album" ganhou ao longo dos anos, por diversas razões que abordamos abaixo. Confira!


1 – Essa é a capa da versão estendida do filme lançado em 2004, com roteiro baseado no livro de Vincent Bugliosi, que trata dos assassinatos da “Família Manson” e sua relação com a Helter Skelter. Já assistiu ao filme?

"Helter Skelter significa confusão. Literalmente. Não significa guerra com ninguém. Isso não significa que essas pessoas vão matar outras pessoas. Significa apenas o que significa. Helter Skelter é confusão. A confu…

Crônica 2 - "Toca Raunchy, George"

Liverpool, 06 de fevereiro de 1958.

Querido diário,

Hoje fui com as meninas da escola assistir ao meu primeiro show de Rock and Roll... The Quarrymen no Wilson Hall em Garston.
Os discos do Elvis que irritavam meus pais já não eram mais suficientes para saciar o meu vício. Ainda mais sabendo que Liverpool tinha bandas de rock que tocavam regularmente há mais de um ano. Eu tinha que ver de perto! Mas, eu, Peggy Smith, com apenas 15 aninhos não era 'adulta' o suficiente para poder estar rodeada de cabeludos, ouvindo aquela música do diabo... Ainda posso ouvir minha mãe dizendo essas palavras! Então, falei para os meus pais que iria dormir na casa de uma amiga, Martha Quinn, para estudarmos para a prova de aritmética do dia seguinte. Martha, era filha de mãe solteira, pois o pai havia morrido na guerra. A mãe dela, Gladys, era enfermeira no turno da noite no Hospital Wolton, na Rice Lane.  Oportunidade perfeita para irmos ao show. Pegamos o ônibus até Lowbridge Court e de lá fomos a pé…