Pular para o conteúdo principal

Disco do DIA: Paul McCartney - Give My Regards to Broad Street

DISCO DO DIA: Nessa sessão você encontrará os discos de estúdio dos Beatles e das suas carreiras solo lançados no dia da publicação, com dados e curiosidades sobre a sua produção e ainda, de quebra, pode ouvi-lo enquanto curte o site!

02 - Paul McCartney – Give My Regards to Broad Street – 22/10/1984

Lançado no outono de 1984 na Inglaterra, a recepção de “Give My Regards to Broad Street” pode ser comparada a de “Magical Mystery Tour”: Uma excelente trilha sonora para um filme sem sentido.

Deveria ter funcionado, certo? Qualquer álbum que tenha Paul McCartney colaborando com David Gilmour - ouvido pela última vez ajudando Paul a ganhar um Grammy na "Rockestra Theme" (Back to the Egg, de 1979) - deveria ter funcionado. John Paul Jones, do Led Zeppelin, Dave Edmunds, membros do Toto e Eric Stewart (10cc) também estavam lá. Deveria ter funcionado. Qualquer álbum preenchido com algumas das melhores músicas lançadas anteriormente por McCartney, e com a participação de George Martin e Ringo Starr, deveria ter funcionado.

Mas, não! ‘Give My Regards To Broad Street’ se tornou um grande fiasco. Nem críticos nem fãs entenderam bem o que Paul queria com tudo aquilo. O filme não se encaixa nas habituais regras de produção. Ele não tem história real e mais parece um grande videoclipe, em vez de uma sequência de fatos estruturados. O grande destaque é a estética das cenas que se tornam altamente agradáveis.


Não seria justo analisar um filme de McCartney puramente pelos critérios convencionais. O longa é,
antes de tudo, uma espécie de presente para os fãs de Beatles com uma trilha sonora inesquecível. As regravações de músicas simbólicas dos Fab Four são emocionantes em sua essência e, ao toca-las, McCartney parece estar nos apresentando um clipe gigantesco com uma história de pano de fundo. O filme nada mais é do que uma sequência de apresentações de McCartney com um roteiro de fundo para justificar aquela sequência de canções belíssimas.

Quem assistiu ao filme, e não foram muitos, lembrará que o roteiro escrito por Paul McCartney para ‘Give My Regards to Broad Street’ iniciou-se de uma busca pelas masters de seu novo álbum, que haviam desaparecido.  A trama não é das mais inspiradas, mas durante o filme podemos nos deliciar com uma boa dúzia de sequências musicais de primeira linha, com participação de Ringo Starr na bateria.

O álbum homônimo, é responsável por toda uma nova geração de beatlemaníacos. A maioria das canções do álbum são regravações de músicas de Paul lançadas anteriormente com os Beatles e com os Wings. O LP inclui 14 faixas (e 3 vinhetas), das quais 3 são novas músicas e 11 são músicas antigas com uma nova orquestração. Assim como no filme, o álbum se tornou decepcionante para muitos dos velhos fãs.


DADOS TÉCNICOS

Lançamento: 22 de outubro de 1984

Produção:
- Paul McCartney

Músicas:
01 - "No More Lonely Nights" (McCartney)
02 - "Good Day Sunshine" (Lennon/McCartney)
03 - "Corridor Music" (McCartney)
04 - "Yesterday" (Lennon/McCartney)
05 - "Here, There and Everywhere" (Lennon/McCartney)
06 - "Wanderlust" (McCartney)
07 - "Ballroom Dancing" (McCartney)
08 - "Silly Love Songs" (McCartney)
09 - "Silly Love Songs (Reprise) (McCartney)
10 - "Not Such A Bad Boy" (McCartney)
11 - "No Values" (McCartney)
12 - "No More Lonely Nights" (Ballad/Reprise) (McCartney)
13 - "For No-One" (Lennon/McCartney)
14 - "Eleanor Rigby" (Lennon/McCartney)
15 - "Eleanor's Dream" (McCartney)
16 - "The Long And Winding Road" (Lennon/McCartney)
17 - "No More Lonely Nights" (Playout Version) (McCartney)

Single:
- "No More Lonely Nights" (24 de Setembro de 1984)

MÚSICOS:

Paul McCartney – vocals, acoustic guitar (3,4), piano (1,5,6,13), keyboards (14), drums (2,14), electric harpsichord (7), bass guitar (2,8-10)
Eric Stewart – vocals (1,9,14), guitar (9)
Steve Lukather (7), Chris Spedding (6,8-10), Dave Edmunds (6,8-10) — guitar vocals
Linda McCartney – keyboards (electric piano (9), piano (6,8,10), synthesizers (1,9), electric harpsichord (7)), vocals (1,6-10,15)
David Gilmour (1), Eric Ford (15)– guitar
George Martin – piano (2)
Gerry Butler – piano (15)
Trevor Barstow – electric piano (13)
Anne Dudley – synthesizer (1)
Russ Stableford – acoustic bass (15)
Herbie Flowers (1,13), Louis Johnson (7), John Paul Jones (6) – bass guitar
Jeff Porcaro (7), Dave Mattacks (13), Ringo Starr (3-6,8-10), Stuart Elliott (1), John Dean (15) – drums

DESEMPENHO COMERCIAL:

Na semana de seu lançamento, ‘Give My Regards to Broad Street’ ficou em 1º lugar no Reino Unido e 21º nos Estados Unidos. O disco fechou o ano de 1984 como Disco de Platina no Reino Unido (300.000 cópias) e Disco de Ouro nos Estados Unidos (500.000 cópias).

CURIOSIDADES:

Em uma primeira versão do roteiro do filme ‘Streets Of Fire’ (Ruas de Fogo - 1984, dirigido por Walter Hill) foi oferecido um papel a Paul McCartney, que estava interessado em atuação. Mas, ele decidiu estrelar seu próprio roteiro, Give My Regards to Broad Street (1984). O personagem de ‘estrela do rock’ que seria de Paul foi reescrito e a atriz Diane Lane ficou com o papel.

O álbum abre com ‘No More Lonely Nights’, uma das melhores músicas escritas por Paul na qual David Gilmour toca guitarra elétrica. Gilmour , que já havia participado do esquadrão de músicos em ‘Rockestra Theme’ de 1979, retomaria a parceria com Paul mais duas vezes: em "We Got Married" de Flowers in the Dirt (1989) e em todo o disco e turnê do ótimo álbum de covers Run Devil Run (1999).



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

My Beatles Experience – Revolver (1966)

Começando com os ‘dois pés na porta’ nossa nova coluna no Beatlelogias, coletamos depoimentos de beatlemaníacos próximos sobre suas experiências e relação com o icônico Revolver, que hoje, dia 08 de agosto, completa 53 anos de seu lançamento nos EUA, de longe o maior mercado consumidor da banda no mundo. Vamos aos depoimentos!

“Difícil falar de um álbum que volta e meia eu o tenho como favorito, e é engraçado que não foi de primeira que gostei dele. Claro, eu era jovem demais pra compreender tantas ideias diferentes,tantas harmonias envolventes e tantas melodias incrivelmente ricas. O fato é que depois que "entendi" a canção "Eleanor Rigby", depois que assimilei a ideia de um som tão rico e diferente, aí sim fui capaz de usufruir e me deliciar com o suprassumo do "FabFour". O "Revolver" consegue ser tão genuíno e ao mesmo tempo tão emblemático que eu ainda teimo em não colocá-lo em primeiro lugar no meu ranking pessoal dos álbuns dos 4 rapazes de…

Helter Skelter (curiosidades)

Helter Skelter é uma canção emblemática na carreira dos Beatles. Por muitos, considerada o primeiro "Heavy Metal" da história, ficou mesmo marcada pela associação com a seita liderada por Charles Manson, uma das mentes criminosas mais malignas do século XX. Para inaugurarmos nossa nova sessão "Histórias e melodias", nada melhor que uma lista de  curiosidades sobre a tridimensionalidade e vida própria que a faixa 23 (ou a 6 do Lado 3) do "White Album" ganhou ao longo dos anos, por diversas razões que abordamos abaixo. Confira!


1 – Essa é a capa da versão estendida do filme lançado em 2004, com roteiro baseado no livro de Vincent Bugliosi, que trata dos assassinatos da “Família Manson” e sua relação com a Helter Skelter. Já assistiu ao filme?

"Helter Skelter significa confusão. Literalmente. Não significa guerra com ninguém. Isso não significa que essas pessoas vão matar outras pessoas. Significa apenas o que significa. Helter Skelter é confusão. A confu…

Crônica 2 - "Toca Raunchy, George"

Liverpool, 06 de fevereiro de 1958.

Querido diário,

Hoje fui com as meninas da escola assistir ao meu primeiro show de Rock and Roll... The Quarrymen no Wilson Hall em Garston.
Os discos do Elvis que irritavam meus pais já não eram mais suficientes para saciar o meu vício. Ainda mais sabendo que Liverpool tinha bandas de rock que tocavam regularmente há mais de um ano. Eu tinha que ver de perto! Mas, eu, Peggy Smith, com apenas 15 aninhos não era 'adulta' o suficiente para poder estar rodeada de cabeludos, ouvindo aquela música do diabo... Ainda posso ouvir minha mãe dizendo essas palavras! Então, falei para os meus pais que iria dormir na casa de uma amiga, Martha Quinn, para estudarmos para a prova de aritmética do dia seguinte. Martha, era filha de mãe solteira, pois o pai havia morrido na guerra. A mãe dela, Gladys, era enfermeira no turno da noite no Hospital Wolton, na Rice Lane.  Oportunidade perfeita para irmos ao show. Pegamos o ônibus até Lowbridge Court e de lá fomos a pé…